Como os livros são feitos


É muito difícil encontrar um leitor que não tenha se perguntado pelo menos uma vez como é feito um livro. Temos o costume de tratar nossos exemplares com muito carinho e é natural que, com isso, tenhamos também essa curiosidade. Para conhecer um pouco mais desse processo, de forma simples, resolvemos publicar esta série de três posts especiais revelando como é feito um livro.

O processo de produção editorial:

Alguns pensam que pouca coisa é feita para que o livro saia da cabeça de seu escritor: basta que o autor digite (ou escreva à mão, em alguns casos) um texto, que a editora coloque-o no “formato de livro” e que a gráfica o imprima. Alguns leitores podem achar esse processo um pouco mais simples ou um pouco mais complexo — tudo depende de quanto eles sabem das etapas pelas quais um livro passa antes de, de fato, se tornar um livro. Mas a verdade é que a produção editorial pode ser muito mais longa e trabalhosa do que a peça final nos dá a entender. E, se temos essa sensação, é porque o processo de produção foi exitoso. Quanto menos o leitor perceber que algo foi feito no livro e quanto mais a leitura fluir sem entraves, melhor.

Mas “produção editorial”, o que é isso? Se você nunca ouviu falar nesse termo ou em “editoração” (o que é bem provável), não se assuste. Essas são terminações dadas ao processo de edição principalmente do livro, mas que também podem ser empregadas a outros produtos, como revista, jornal, site e até mesmo vídeos.

A produção editorial é feita por editores, produtores editoriais ou assistentes editoriais e, basicamente, consiste na supervisão dos processos de publicação de uma obra, da pré-produção até o lançamento do livro e o acompanhamento de sua vida no mercado. Ou seja, a editoração é o processo por meio do qual o manuscrito do autor ganha materialidade, e é por conta dos profissionais ligados a esse processo que o resultado deve ser um produto agradável de se manusear e de ler — neste caso, o livro.

Nesse processo, o editor realiza tarefas como:

Verificar se o livro é interessante e se ele se encaixa na linha editorial (no “estilo”) da editora.
Planejar um cronograma de publicação do livro e fazer um pré-levantamento dos custos de produção da obra.
Selecionar prestadores e fornecedores freelances, como revisores e designers.
Definir aspectos visuais do livro, como o tamanho e a fonte do texto, como este será organizado, se haverá ilustrações e fotografias, entre outros.
Avaliar propostas de capa elaboradas por designers especialistas na produção desse item, chamados de capistas.
Definir uma estratégia de marketing e a organização de um evento (como uma sessão de autógrafos) para o lançamento do livro.
Os processos de produção editorial podem variar de editora para editora em algumas etapas e em alguns detalhes, mas geralmente seguem uma direção parecida.

A decisão de publicação de uma obra passa por uma série de avaliações, como as necessidades da editora, a qualidade do texto e do conteúdo da obra, a relação do editor com autor, projeto e a existência (ou não) de um público para aquele livro. Essa etapa geralmente é feita em conjunto entre a diretoria da editora ou o conselho editorial — que escolhem as obras a serem publicadas, bem como a linha que a editora deve seguir — e um editor de aquisições, que vai fazer a captação da obra desejada e dar início às negociações de direitos autorais e estudos de mercado, planejando a viabilidade de produção do livro.

Tudo começa, basicamente, de duas maneiras:

O autor envia um manuscrito para a editora e um editor faz uma leitura crítica do texto, se interessa e entra em contato para negociar a publicação da obra.
O editor tem em mente o perfil de obra que precisa ou quer publicar, vai até algum autor que julga ser capaz de escrevê-la e negocia a escrita do livro; ou procura os direitos de uma obra já publicada lá fora e negocia a compra dos direitos de publicação no seu país.
No Brasil, esse processo vem ganhando novos contornos ultimamente, com a ascensão da figura dos agentes literários, que já são bem mais populares em países cujo mercado editorial é mais desenvolvido, como Estados Unidos e Inglaterra. Os agentes literários podem ser uma forma mais profissional de os autores garantirem seus direitos na relação com os seus editores, além de servirem como “lapidadores” do texto e da imagem do autor, dando a ele dicas valiosas para que consiga negociar sua obra mais rapidamente e melhorando a qualidade de seus trabalhos.

Quando o autor fecha o contrato com a editora, o livro já pode entrar em produção. Dependendo da editora e do editor que avaliou o manuscrito, podem ser sugeridas alterações mais profundas antes de se iniciar o processo, visando obter maior qualidade ou adequação ao público da obra. No caso dos livros técnicos, científicos e profissionais (CTP), pode ainda ser feita uma revisão técnica ou científica — quando o editor encaminha a obra para que uma pessoa com notório saber no assunto do livro faça uma avaliação, de modo a descobrir se aquele conteúdo está adequado à área ou se necessita de alguma alteração; ou ainda apenas para esclarecer dúvidas e adequar a obra aos termos específicos daquele tema.

 

Autor/Vídeo; Guilherme Giffoni

Revisão; Bruna de Mello

Postagem; Agatha Costa

 

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